quarta-feira, 26 de março de 2008

Falei, falei, falei, e não falei porra nenhuma!


Friedrich Nietzsche – Rodrigo “raTo” Seixas


Quando eu era mais novo, sempre preferi ouvir um CD ao ler um livro. Chegou um momento na minha vida em que, apesar de as letras das músicas serem legais, eu precisava de mais. Porém nunca tive paciência para ler um livro, até me tornar este nerd que aqui lhes escreve, ahahaha.

Comecei lendo sobre coisas que me chamavam a atenção, para pelo menos poder terminar os livros que pegava pra ler, até que o rumo foi se pendendo para a filosofia, e então conheci Nietzsche. De cara achei um sujeito até que engraçado, pois não estava adaptado às pessoas que não tem amigos e tal, mas depois que comecei a ler sobre Schopenhauer, Dostoiéviski, Goethe, Wagner, Voltaire, percebi que para este povo que eu tinha ânsia por conhecer, ser de poucos amigos era normal.

Mas enfim, Nietzsche nasceu em 1844, filho de um pastor (juro que é verdade), perdeu a sua fé na adolescência e aos 25 anos se tornou professor de filologia. A sua história com Lou Salomé também é verdadeira, e depois que ela recusou seu pedido de casamento, ele começou a escrever e não parou mais. Loucura, né? Com quase 50 anos contraiu o que acreditam ser um câncer no cérebro, mas que naquela época era tratado como desespero.

Sem qualquer tipo de receio, sempre afirmou que o budismo e o cristianismo eram duas religiões decadentes. Sempre criticou também a cultura ocidental, por que será? Nunca aqui ninguém leu sobre o outro lado da igreja católica? Enfim, foi um grande desmascarador dos preconceitos e ilusões do gênero humano, sempre achando que a verdadeira moral é um caminho fácil a ser trilhado para subtrair a autêntica visão.

Algumas frases que marcaram o tempo:

"É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela."
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a musica."
"Eu também quero a volta à natureza. Mas essa volta não significa ir para trás, e sim para a frente."
"Há homens que já nascem póstumos."
"A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade."
"Aquilo que não me destrói fortalece-me" (esta é a mais famosa, hehe)
"Sem música, a vida seria um erro." (a que eu mais amo)
"Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar." (vulgo pérolas aos porcos)

Nietzsche alertava que a perda da fé em Deus resultaria em pouco tempo numa sociedade vazia e numa profunda crise em toda a civilização. Para ele, o homem moderno cairia na armadilha de sua própria sociedade cientifica. Se a ciência matou Deus, a mesma não parecia apta a se colocar em seu lugar, viria então o “niilismo moderno” onde o viver não tem sentido e a vida não tem valor.

Nietzsche acreditava na luta de si mesmo para elevação do seu próprio poder e observou que a vontade de poder era a virtude original de tudo o que é vivo. É pela busca de poder que ser busca manter e garantir sua própria existência. Amor, Riqueza, Ciência ou qualquer outros valores seriam somente secundários, pois sem Poder nenhum destas coisas será sinônimo de satisfação e com poder todas estas e outras coisas lhe seriam acrescentadas. A Vontade de Poder reflete-se então no cultivo de nossas próprias potencialidades, livre de toda a culpa moral. O desejo de elevar o próprio poder, saúde e capacidades em algo cada vez maior, é a auto superação que levaria a humanidade niilista moderna à Super Humanidade preconizada pelo filosofo;

Nietzsche estava convicto que esta moral dos escravos era fruto direto do “ressentimento do mais fraco” que por serem explorados, oprimidos e vencidos pelos mais fortes fugiram para seu próprio mundo ilusório onde a fraqueza é uma virtude, e os vencidos o povo escolhido por Deus. Tendo isso em mente, em toda a sua obra o filosofo traçou algumas características que levariam a super humanidade.

Atrelado ao Amor pelo Destino, Nietzsche colocava a importância de se viver o momento. O Eterno retorno ao presente e ao aqui no lugar da fuga para Deus, ou para outros mundos imaginários. O Santo homem para Nietzsche não era aquele que negava o mundo em fugas metafísicas, mas aquele que reconhece a lei natural e não tenta apegar-se a uma ilusão. A vida acontece aqui e agora e não em qualquer outro lugar. A vida do Super-Homem deveria, portanto ser uma “sucessão de momentos”, uma “soma de instantes” e não um presente inconfortavelmente oprimido entre fantasmas do passado e ilusões do futuro.

Este é bem resumidamente o pensamento de Nietzsche. Seus maiores opositores apontam para o fim trágico de sua vida como um sinal da ira divina e do perigo em se questionar as coisas, fazendo ele um perdedor. Mas a verdade é que Nietzsche soube como ninguém viver o que escreveu; “De todo o escrito só me apraz aquilo que uma pessoa escreveu com seu sangue”.

A verdade é que Nietzsche não foi punido por Deus, foi punido sim pela sociedade covarde em que viveu. Ele arrancou o véu da mentira e expôs o ser humano como este de fato é. Nietzsche foi crucificado por ser um gigante andando em terra de anões, uma águia pairando sobre o galinheiro. Era um homem do futuro, era um satanista. Como ele mesmo disse: “alguns homens nascem póstumos.”

6 comentários:

Adriana disse...

Putz...vou ter que ler mais umas 3 vezes e refletir por alguns dias para poder postar algum comentário que faça sentido...fudeu!

Daniel disse...

Bom, não vou ficar aqui questionando se ele estava certo quando questionou Deus ou não. Até porque eu acredito em outra coisa e ele era ateu.

O que quero comentar mesmo é que eu gosto desse cara, assim como gosto de qualquer pessoa que seja diferente de mim (os opostos se atraem).

Além de ele ter uma frase que resume minha vida. (Sem música a vida seria um erro). A minha seria com certeza. Eu nasceria morto se a música não existisse.

E por mais que eu discorde dele em vários aspectos, tudo que li sobre ele te prende a atenção, porque ele nasceu póstumo. Ele tinha uma visão fora de série.

abs

Mayara Hopp disse...

Eu só li um livro dele até hj... E leria muitos outros, pq pelo pouco que conheço admiro mto esse cara!
Ja li mtas frases dele, que fazem a gente entender à nossa maneira.
das q vc postou eu curto essa:

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a musica."

. Cáh . disse...

Bom adoro filosofia...mas nunca li nada dele...tenho vontade..ele sempre me chamou atenção, mas ainda não consegui ler,(por preguiça mesmo demoro um século rpa ler um livro..)
As frases eu conheço , já vi em alguns lugares...
E agora lendo seu texto me interessei mais ainda...!!!

=D

beijOOOOOOOOOOOOO fididoooo!!

Anônimo disse...

Me identico mais com Charles Bukowski.

Abraço.

DENNIS

Riba disse...

É meu amigo, são visões como essas que nos levam a expandir a mente! qto mais se lê, mais se quer ler.