terça-feira, 18 de março de 2008

hoje em dia


Estranha é a sensação que sinto todos os dias ao acordar: banho, café, trânsito, trabalho (com orgulho) e trânsito novamente.
É incrível como nós odiamos o trânsito, e como a nossa cidade é mal estruturada. Como disse Chico Buarque em uma entrevista para a revista Trip “[...] a cidade é um desastre. Era uma cidade amável nos anos 50, se podia gostar dela. Hoje em dia acho impossível alguém gostar. Estou falando da cidade, da arquitetura, do urbanismo. Se vai falar da vida noturna, cultural, dos restaurantes, hotéis, médicos, aí é muito boa. Mas a cidade é detestável. É um desastre, é a cidade que não deu certo. Lá no Rio, às vezes dá no noticiário “temporal em São Paulo”, e aí vêm aquelas imagens da marginal. Não se pode viver assim, engarrafado”. Ele não está 100% errado! Lógico que como um paulista nato defenderei a minha cidade e tentarei discutir os problemas que nela se instalaram, ou ao menos tentar conviver com eles, já que boa parte do problema eu não posso resolver.

Quando li a entrevista fiquei com raiva dele, pensei: “Olha que filho da puta!”. Lembrei que “Cidade Cinza” basicamente eu escrevi no trânsito quando aguardava para chegar ao trabalho. Trânsito já é rotina, mas quando não está aquela coisa caótica eu até consigo me concentrar em alguma coisa e ter algum insite. Uma das coisas que mais me pego pensando é sobre os motoboys. Se o semáforo está fechado, por que tentar ficar passando por entre os retrovisores até chegar à frente, se terá de esperar o farol abrir? Esta é uma situação que eu realmente não consigo entender, será que para ser um motoboy deve-se agir assim? Por que então chutar o seu retrovisor quando, mesmo dando seta, você avisa que vai mudar de faixa? Não sou daqueles que acredita que uma escola de reciclagem resolve o problema, isto é cultural mesmo.

No mesmo trânsito que acontece tudo isso, também acontece muito mais. Todos os dias eu passo por uma praça que há um acúmulo de “lavadores de pára-brisa”. Meus caros, isto já virou profissão em São Paulo! O semáforo fecha e eles já vêm em bandos com aquela água mijada para “lavar” o seu vidro. Uns com pinos na perna, outros fumando e de óculos escuro... tipo à passeio mesmo. Aquela pergunta básica se você quer que lave não existe mais, o simples fato de estar parado no semáforo significa que realmente você quer que seu vidro seja “lavado”. Já vi chutes e socos em carros quando as pessoas não dão dinheiro, graças a Deus comigo isto nunca aconteceu, pois só quem tem sabe o quanto é suado e o quanto é difícil manter. E a polícia? Por que não constrói uma base comunitária ali, visto que desordem é geral e sem tamanho?

São estas e muito mais que devemos cobrar dos nossos representantes no Poder. São atitudes simples que poderiam mudar o cotidiano e quem sabe o pensamento e a imaginação de quem está parado no trânsito. Pois ao invés de eu escrever tudo isto aqui, eu poderia escrever sobre qualquer outro sentimento.

5 comentários:

Anônimo disse...

texto bem interessante... é por essas e outras q nem tenho vontade de conhecer e viver em SP... esse transito é o fim do mundo! Não me conformo q tenho chego a tamanha baderna! Mais em relação aos motoboys vou ter que defendê-los, eu como uma motoqueira à 6 anos, vou te dizer q temos que ir lá para frente pq assim q o semáfaro abrir já vamos seguir! Já se ficarmos na fila vamos ter que aguardar até chegar a nossa vez, visto que se notares não é viavél uma moto ficar ocupando o lugar de um carro na fila, o congestionamento seria ainda maior; essa é uma das vantagens que a moto tem entre tantas desvantagens visto andando de carro! como o conforto, o som, o ambiente, a chuva, o frio... então estamos quites?

Bjão my friend paulista!!!

Fezoca da Pipoca - Itajaí/SC

Anônimo disse...

Ih, o buraco é bem mais embaixo hein velhinho. Tenho certeza de uma coisa: Todo esse caos q vc descreve se inicia na falta de educação do povo. Deveríamos nos espelhar no que a Colômbia está fazendo, investindo maciçamente em educação. Seria este o único caminho para mudar esta dura realidade, com resultado a longo prazo, porque a curto e médio é impossível. Mas alguns neo-socialistas enxergá-la apenas sob a ótica do Chavez que classifica o país vizinho como "fantoche do império".

Teremos que conviver com essa realidade. Quem sabe daqui a 20 ou 30 anos quando nossos vizinhos nos derem a resposta e sentirmos vergonha de nós mesmos não resolvamos fazer algo nesse sentido.

E podem crer, só não ficaremos definitivamente pra trás pq as dimensões demográficas e continentais desse país nos dão eterna relevância internacional.

PS.: O único político brasileiro que vi empunhar a bandeira da educação foi um tal de Cristovam Buarque. Como me incomoda falar de política (pra não dizer "enoja") num me aprofundei nos seus projetos, mas pretendo fazer isso em breve, nem que seja somente a título de informação.

Abrazzz

DENNIS

. Cáh . disse...

è por isso e outras coisas que não quero mais viver aqui..
Amo são paulo ..mas está foda conviver aqui..transito em todod lugar..a qualquer hr..!!!

BeijOO ratitooooooooooooo!!!

Marília PSH disse...

Noooossa
hoje vieram 2, um eu consegui que não jogasse agua no meu vidro, mas o outro veio jogando... Dei 25 centavos pra cada um... não vai ajudar porra nenhuma MAS.
Sou contra dar esmolas, eu andaria numa boa com sacos de arroz e feijão no carro... afinal acho que teria mais efeito.
Queria estudar o que leva alguém a chegar numa vida onde se pede tanto... sabe que mtos dizem q é pq eles saem de outra cidade e não acham nada aqui... EU DISCORDO.
tava vendo vagas de emprego e vi que o povo ta metido, tem emprego que tem mais vaga do que candidato e é algo que se aprende muito fácil...
não entendo essa cidade, mas não vivo sem, queria ir todos os dias andar na paulista, tenho que te mostrar o predio que eu vou morar um dia la... a minha historia com esse predio é emocionante...
infelizmente o que caga é a má adminisytração pública, é bem daquele jetio o prefeito tira os outdoors, com uma lei q chama cidade limpa e quando chove nas ruas só tem lixo... beeeem limpa né?
éééé ossooooo Rato, mas a gente da idéia, de um jeito ou de outro esse mundo vai se ajeitando...

ps: to esperando o convite para ver filme no espaço unibanco lalalalaalala

Bruno Bedotti disse...

Paralelas que se cruzam em Belém do Pará!