segunda-feira, 28 de abril de 2008

(Des) Ordem Mundial - De volta ao Front!

Pessoal, este é um novo artigo que acabei de escrever e sairá no jornal Chega São Paulo!

(Des) Ordem Mundial – Rodrigo “raTo” Seixas

Sentado na sala de aula em uma terça-feira qualquer, assistindo a mais uma aula de Geopolítica e Geoeconomia, uma das aulas que mais admiro, porém, com frases que o professor soltava não me deixavam manter o controle em relação à aula e minha cabeça sem o menor esforço saia daquele lugar. Lugar aquele em que aprendemos teorias, sairemos de lá mais cultos com nós mesmos e com uma experiência teórica também muito boa. Mas e a prática?

Quando falo de aprender na prática não estou falando sobre trabalho e experiência profissional, estou falando sobre a vida, sobre a forma de viver, de como buscamos o melhor para nós mesmos. Ou então, de como poderemos ajudar as pessoas à nossa volta para termos uma perspectiva de vida melhor. Sempre tive o sonho de que se todos nós tivermos este pensamento de ter uma “perspectiva de vida melhor” realmente teríamos, pois é a forma natural da vida, onde tudo se cria.

Dados informam que o valor estimado para a guerra no Iraque seria de US$ 250.000.000.000,00 e está atualmente em US$ 3.000.000.000.000,00! Isto mesmo, três trilhões de dólares. Se na minha humilde cabeça de terceiro-mundista a cifra de duzentos e cinqüenta bilhões já é incalculável, imaginem a de três trilhões? Não estou nem pensando que o valor está informado em dólar, pois só o tamanho do número já assusta.

Tive um pensamento totalmente ingênuo e infantil. Mas talvez para assuntos mundiais como guerras e mortos de fome, realmente eu seja ingênuo. Pois com uma cifra destas, eu acredito que boa parte dos nossos problemas seria resolvido. Até agora nada foi comprovado no Iraque e boa parte dos soldados americanos que morrem são imigrantes, que para permanecer com sua cidadania são voluntários no exército.

Mais uma frase solta e novamente os meus pensamentos saem. Desta vez é sobre a Amazônia. Ao invés de fazermos discursos baratos e incultos como “A Amazônia é nossa!”, deveríamos nos preocupar com os centros de pesquisas que existem no lugar que tanto gritamos que é nosso, pois muito do que há lá de bem natural e brasileiro, está patenteado por outros países. Coisas como guaraná e açaí apesar de serem produtos brasileiros, são patenteados por outros países que desenvolveram pesquisas. Em outras palavras, enquanto gritamos que a Amazônia é nossa, vem gente de fora aqui e desenvolve pesquisas sobre os nossos produtos, e ainda detém o direito sobre eles. Será que ela é nossa mesmo?

Não temos aqui o que é mais necessário para enriquecer uma população, o ensino. A educação no Brasil é corrompida, princípios são invertidos e o lucro toma o lugar da qualidade de ensino. Infelizmente alguns não se importam com isto, outros então sequer sabem o que é ensino e chegam a séries elevadas apenas escrevendo o nome. Mas para as estatísticas está certo, o que importa é o gráfico ficar bonito no jornal, na televisão, na internet e consequentemente no mundo.

Por que tudo isto? De que adianta lutarmos se não usamos as armas corretas? De que adianta 3% da população brasileira ser detentora de toda a renda nacional e 97% viver nas extremidades? Por que existe universidade pública se quem estuda lá tem dinheiro para pagar uma universidade particular?

O problema do mundo é o EUA, já o problema do Brasil é o brasileiro mesmo, pois até nossos próprios representantes forjaram um relatório de avaliação das fazendas brasileiras para a venda de carne bovina à União Européia, e por uma “ironia” do destino, o “jeitinho brasileiro” foi descoberto, a nossa carne boicotada e nossas exportações que já não são muitas, foram comprometidas.

Se o sistema é falido, quem pode julgar o cidadão?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Este blog entrará em luto até o feriado!

Sabe, segurei até o último minuto para tocar neste assunto, não queria escrever nada aqui para tornar a situação normal, umas férias que você fosse tirar. Esta é a minha introdução.

Neste momento Carol, estou falando com vc no msn... eu na minha casa e você na da Talita esperando para o último role. Não queria também que vc chorasse por isso, pois sei que já está chorando bastante, e não queria ser mais um a fazer isto, porém não deu... mesmo sem nos vermos agora, sinto que choramos junto. E quantas vezes eu segurei isto ao seu lado? Quantas vezes vc veio contar de suas ansiedades e tal, e eu querendo dar um de durão? Muitas!

Estou perdido... amanhã, como toda sexta-feira seria o nosso dia, como de muitos que sempre falamos: “se ninguém for, vamos nós dois”. Entre nós a insanidade e a cumplicidade não tiveram limite, e deixei que fosse assim porque sabia que o fim estava próximo. O fim de um tempo e o início de outro. E é sobre isto que eu queria falar:

Fim de um tempo em que curtimos a vida intensamente e todos os dias... nos tornamos além de tudo, cúmplices de boteco, amantes de Brahma, e que seja gelada. Quantas vezes que não ligávamos para o que os outros falavam? Ahhhhhh como era bom! A sua presença apenas era o suficiente para mim. Quantas vezes vc me acolheu das presepadas que aconteceram recentemente, de algumas roubadas de merda que eu entrei, e apenas com vc verdadeiramente eu desabafei. Porque é o que sempre falo, qdo voltamos, voltamos fortes! Decididos a nunca mais nos separar, tipo aquela amizade eterna, sabe. Sempre dizemos um ao outro que nos amamos, mas para a nossa amizade isto ainda é pouco, só que infelizmente ainda não inventaram uma palavra mais forte que esta... então a gente utiliza esta para demonstrar com palavras, porque pessoalmente vai além disso!

Inicio de um novo tempo porque está doendo agora, mas amanhã vamos perceber que a distância é curta, e que a saudade logo vai passar. Lembrar dos momentos que curtimos intensamente, dar risada lembrando das coisas, contando para os outros. Porque vc Carol, é uma menina em que só a sua presença basta, independente da forma que for. Quando estou nervoso no trabalho, só a conversa fora que jogo com vc já me acalma, damos risada tirando barato de alguém ou de nós mesmos, porque nada é na maldade, tudo em prol da risada e do bom humor. Estaremos perto da forma mais gostosa possível, através do pensamento, sempre torcendo para nos encontrarmos logo e curtimos como curto com a Mayara, pois passo um tempo longe dela e qdo nos vemos, curtimos juntos como loucos, literalmente, e com vc será assim também.

Nunca me esquecerei de um dia que não tive aula na pós e fomos tomar uma cerveja. Pra mim foi um momento simples, porém mágico, pois naquele dia, vc, Daniel e Mayara sabiam o quanto precisava despejar uma cerveja goela abaixo. Pois até a sua risada me acalma, me anima, me eleva novamente. Sem contar aqueles segredos que só nós dois sabemos, vc sempre tentando me ajudar e vice-versa. Comemoramos a vitória um do outro como se fosse a nossa própria, pois isso é amor, carinho, cumplicidade e amizade de verdade... para no final, um abraço bem apertado e um beijo bem gostoso eu te dar, dizer “tchau” e aguardar pela próxima vez.
Só vc Carol que sabe a importância que vc tem pra mim, e só eu sei como vc vibra qdo acontece uma coisa boa pra mim, mesmo que no final não dê em nada, e vc sabe do que estou falando, a gente vibra o momento, grita, dá risada... e depois se for o caso, manda tomar no cu e continua a nossa vida. Só eu sei tb dos seus momentos de angústia, de aflição, que por mais que no final tudo dê certo como eu sempre falo pra vc, mas sofro junto pelo simples fato de ver vc sofrer, pois isto é envolvimento total com uma pessoa.

Daqui pra frente a vida será assim: todos nós, a máfia (que é fiel) contando os dias para o próximo encontro, pois o contato será diário, mas os encontros serão aproveitados ao máximo, pois como sempre não importamos pra nada, apenas para ficarmos juntos com os amigos, não importa o lugar, a balada, ou o que seja, para nós o que vale é a presença, o calor. That’s all!

A sua família é a minha família também, pois com o carinho que sou tratado pelos seus pais não tem tamanho, e olha que damos trabalho para eles. Mas é de família, o coração é grande demais, a energia é sempre positiva, e todos estes momentos estão gravados tanto na memória quanto no coração, porque são inesquecíveis!

Por fim Carol, vá com Deus, e que Ele esteja ao seu lado quando eu não estiver. Mas saiba que estarei sempre ao seu lado, seja dormindo, acordado, trabalhando, curtindo, enfim... estamos ligados para a vida toda, e quem quiser que aprenda a conviver com isto!

Sinceramente, raTo!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

War - Bob Marley

Até que a filosofia que sustenta uma raça superior e outra inferior, seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada havera guerra.
Até que não existam cidadãos de 1º e 2º classe de qualquer nação. Até que a cor da pele de um homem seja menos significante do que a cor dos seus olhos havera guerra.
Até que todos os direitos basicos sejam igualmente garantidos para todos, sem discriminação de raça, ate esse dia o sonho de paz duradoura, da cidadania mundial e as regras da moralidade internacional, permanecerão como ilusões fugares para serem perseguidas, mas nunca alcançadas agora havera guerra, guerra.
Até que os regimes ignóbeis e infelizes, que aprisionam nossos irmãos em Angola, em Mozambique, Africa do sul em condições subhumanas, sejam derrubados e inteiramente destruído havera guerra.
Guerra no leste, guerra no oeste, guerra no norte, guerra no sul, guerra, guerra, rumores de guerra.
Até esse dia, o continente africano não conhecerá a paz. Nós africanos lutaremos se necessário e sabemos que vamos vencer, porque estamos confiantes na vitória do bem sobre o mal, do bem sobre o mal...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Brasil, meu Brasil brasileiro!

Estava me segurando para não postar nada sobre isto, mas com o noticiário que assisti hoje pela manhã não tive escolhas.
Como pode um pai fazer o que fez? O seu genitor, por mais jovem que seja acabar assim com um sonho, estamos falando de uma vida, ou melhor, de uma vida toda pela frente que esta pequena Isabela tinha. Estou aqui fazendo um pré-julgamento, que é errado, mas não estou me contendo mais!
Quando a Suzana matou seu pai junto com os irmãos Cravinhos foi algo extremamente chocante, aquilo que a gente só imagina que acontece nos Estados Unidos manja? Aqueles carecas com sobrancelhas raspadas matando todo mundo, é nada minha gente, isto também acontece no nosso Brasil, nossos pais passaram a ter medo de dormir com a porta do quarto aberta. E aquele caso da menina que saiu da escola e foi acampar com o namorado? Foram torturados, estuprados, e violentamente mortos! Todos estes casos, e agora este da pequena Isabela, foram casos que só quem vivenciou de perto soube a dor da barbárie. Todos estes casos também foram e serão esquecidos pela nossa justiça.
Quando digo esquecido pela justiça, quero dizer que já que não existe pena de morte aqui, o mínimo que deveria acontecer com pessoas deste tipo era a morte na cadeia, nada de sair de lá. Acredito que o mais correto seja matar! Não tenho medo e nem vergonha de falar que para crimes como estes a pessoa deve pagar com a vida, e para ser melhor ainda, da mesma forma com que cometeu o crime.
Já imaginaram a Suzana e os irmãos Cravinhos tomando tacada de basebol na cabeça até a morte? E o Champinha sendo estuprado por várias pessoas, depois sendo torturado até morrer? E este rapaz agora, deveria ser sufocado da mesma forma que sufocou a filha, e depois ser arremessado da janela do apartamento.
Não quero causar a desordem em nada, apenas acredito que pagando conforme fez, ninguém mais faria nada. Eu sei, vai ter gente comentando que estamos no século XXI e isto não se aplica. Como não? Estamos em um processo totalmente de regressão. Fico horrorizado com crimes medíocres, quem dirá com estes três exemplos citados!
No mesmo noticiário, que não era sensacionalista, mostrou a prisão de um grupo que assaltavam pessoas que sacavam dinheiro em bancos, bem como roubo de motos. A polícia estava com escuta telefônica há alguns meses, e alguns trechos foram liberados, como este por exemplo: “O cara não quis entregar a moto, tomou tanta capacetada na cabeça, mas tanta, até entregar”.
Amo onde vivo, não troco o Brasil por país nenhum, porém temos um problema cultural muito grande aqui, onde a lei que manda é a do dinheiro fácil, e em todos os sentidos. Não adianta nada nós pessoas de bem andarmos na linha, pois o trem nos pega. Tem que se mudar a estrutura.
C A N S E I de tanta injustiça!

domingo, 6 de abril de 2008

no ano em que eu fiz 30




Não gosto de falar difícil, mas na situação em que me encontro, imagino meu cérebro trabalhando do avesso com Bob Marley sentado ao lado dizendo “abra seus olhos e olhe pra dentro, você está satisfeito com a vida que vem vivendo?”. O pior é que estou! É difícil lidar com isto e confesso que as vezes eu não agüento a pressão. Mas por que tudo acontece assim? E ainda em uma velocidade que a gente não consegue acompanhar.

Sempre fui moleque, eu já nasci moleque. Talvez este seja o ponto principal, aquele “moleque” de 30 anos já não namora mais, faz coisas que a maioria dos caras da sua idade não faz. Fico me perguntando por que vivo assim, ou então por que estou vivendo assim? Não sou ninguém para julgar o que é certo ou errado, mas as vezes acho que estou errado. Engraçado como a cabeça da gente pira se você não segurar a pressão. As vezes penso que queria viver diferente, mas ai eu não seria o “raTo”, seria apenas o Rodrigo, um Ordinary Guy, ou em outras palavras Um Cara Comum. Mas eu não sou comum!

No auge da loucura sempre me olho no espelho e desacredito do que estou fazendo ou do que estou vivendo. Mas ao mesmo tempo eu não me importo, porque logo olho para o lado e penso: “olha quanta história eu contarei para o meu filho”. Mas que filho? Eu nem namoro!

Fico lendo este texto para tentar terminar mas não consigo, estou achando confuso demais, talvez seja porque eu também esteja assim. Que foda, não consigo nem me concentrar.

Sempre tive presente em tudo e sempre estive presente com todos, talvez isto seja parte da culpa por eu ter me tornado quem eu me tornei. Mas por outro lado, imagine se eu não tivesse me tornado quem sou? Seria um cara de 30 anos, casado há algum tempo, levando uma vida comum como muitos que vejo, para depois falar que não se viveu, que não tem história, e querer separar. Preferi pular esta etapa da vida, que posso mais uma vez estar errado, porém infelizmente é o que penso na vida de hoje sobre casamentos prematuros.

Sei que pode não ter nada a agregar na vida de quem ler esta porra, mas é estranho como me sinto, principalmente às sextas-feiras, o dia em que literalmente rasgo a fantasia, jogo tudo pro alto e perco a sanidade mental. Já falei, não me importo com o que digam, simplesmente estou precisando disso e estou fugindo de muitas coisas e cobranças. A vida é curta, curta!

Talvez eu esteja curtindo demais e esquecendo um outro lado. Mas e daí?

Ficou confuso, eu sei, mas no ano em que eu farei 30, imagina como andam as coisas para o lado de cá!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

prooooooonto!


Enfim... Esta menina ai ó, conheci e já botei uma puta fé nela. Natal é aquela tradição né, só quem passa junto que sabe o que acontece, e neste mesmo dia ela mostrou que era das minhas. Até que rolou uma trip e tudo começou. Lembro que falava para os moleques: “nossa, esta mina fala pra caralho”. Mas como todos sempre comentamos, foi uma das melhores trips que fizemos. Depois disso eu não conseguia mais ficar longe desta pessoinha, sempre estávamos fazendo algo e tal. Os dias passavam e eu fui percebendo o que sempre falo pra ela: “Ligia, vc é uma menina que vale ouro”. Só ela que entende o nosso éééééé ou no nosso nããããão. São códigos indecifráveis que para nós tem um valor animal!

Agora, falar do Daniel seria um pleonasmo vicioso! Seria redundância da minha parte dizer aquelas coisas que todos dizem, porque diferente de mim, o Daniel é o cara que tem paciência com todo mundo, não consegue falar não pra nada, está sempre disposto a ajudar alguém. Não que eu não esteja, mas sempre dou uma resmungada pra ver se a pessoa desiste, e ele não. Sei que sou uma pessoa chata, mas este porra ai é quem me agüenta sempre, ouve eu xingar todo mundo, é quem eu conto minhas paradas que não gosto de contar pra ninguém.

É foda, tem o jeitão dele todo diferente do meu, mas é a pessoa que eu mais me dou bem. Nossa banda, ao contrário do que muitos pensam, não é o nosso elo, e sim apenas um complemento. Pois já ficamos diversas vezes com a banda deixada de lado e nunca deixamos de ser amigos por causa disso.

Recentemente brigamos feio, também... Praticamente 15 anos de amizade, já estava na hora de acontecer uma briga para mostrar o que sempre prevalece no final, a amizade verdadeira. Como já disseram isto de mim, eu digo também pra ele, pois o Daniel é um cara comentado, ou seja, quando não está na banca tem sempre alguém comentando alguma história dele, ou alguma mina feia que ele pegou, ahahaha, essa foi maldade minha.

Não gosta muito de me dar o braço a torcer, mas sei que ele sempre me ouve, assim como eu sempre ouço seus conselhos, que em quase sempre ele está com razão. Disse quase porque também não gosto de dar o braço a torcer.

Mas é assim, vivendo, aprendendo, rindo sempre, pois os melhores momentos da vida estão com quem você se sente bem ao lado, e todos os meus amigos me proporcionam isto!

meio sem tempo, vai este mesmo!

Parte II – Rodrigo “raTo” Seixas
Texto publicado no jornal Chega São Paulo!

O som é confuso, em meio a sirenes e buzinas eu vejo um corpo jogado no chão. Ele está coberto com um plástico preto, enquanto uma pessoa comemora a vitória, a família o sofrimento. A verdadeira história só ele sabe, eram 19:30 h da noite, sem nada pra pensar, só queria o seu baseado fumar.
Nunca teve instrução, veio de família humilde desde então. Os seus irmãos? Todos diferentes do “ladrão”. Cada um dos nove muitas vezes passavam fome, outros entravam para a igreja para escapar do crime e da pobreza, acreditando no divino, fugindo do mundo real... mas todos eles sem roubar até mesmo um frango para passar o natal.
Com ele era diferente, preferia a vida fácil pra fugir do batente. O sol do meio dia, aquela “breja” gelada em boa companhia, com os “mano firmeza” planejando mais um crime que como dizia o “ladrão”: Isso aqui vai ser moleza. Sem vacilar saíram todos do bar, cada um para o seu canto esperando a hora chegar, para depois em mais um encontro, a sorte grande brindar.
Na conversa com os irmãos, conselhos eram o que não lhe faltavam, mas todos eles eram repudiados e que com uma risada final ele falava: Já é! A mãe não tinha mais cabeça para lhe guiar, trabalhando de doméstica à garçonete de bar, as vezes chegava a se deitar com qualquer um que pudesse as suas contas pagar, mesmo sem um mínimo de prazer para lhe dar.
O pai ele só conhecia de nome, que morreu até com tiro na bunda, no antigo barraco que depois foi ateado fogo, antes mesmo de o “ladrão” nascer. Esta era a imagem que o “ladrão” tinha do “ladrão”, um pai malandro que morreu como morre um pilantra. Em meio a tanta pobreza, sem estrutura familiar, chegava às ruas mais um menor e desta vez era para te matar.
A rua era escura a propósito. Iluminação? Só a dos barracos mais próximos, pois nos postes já não havia mais lâmpadas, assim a abordagem ficava mais fácil. Não tinha preferência, chegava batendo na porta de qualquer um mesmo sem a esperteza de um bom malandro, que só cometia seu crime na certeza, sem medo de “tomar” uma bala na cabeça.
Desta vez o barulho veio do lado inverso, o tiro partiu do lado oposto aos barracos. A bala que até hoje só havia conhecido uma direção, seguiu o rumo contrário. Não adiantou correr, o barulho veio pelas costas que não deu para perceber, o grau de entorpecentes era tanto que seus reflexos não puderam lhe conter.
O desespero era tanto por mais um “barato” fumar, que mal esperou o carro no semáforo parar e começou a atacar. Ele não sabia, mas a vítima estava preparada para mais um assalto. Legítima defesa nos casos mais remotos, pois pelo lugar que se encontravam, qualquer um ali seria só mais um defunto comido pelos urubus, que sobraria só os ossos.
Com a arma na mão sem tremer e nem piscar, o “ladrão” começou a assaltar. Pedindo o que lhe podia ser visto e também o previsível que qualquer cidadão pode carregar: “Me dá o dinheiro, a carteira e o celular”.
Chega a ser engraçado, mas a vítima o deixou assaltar, pacientemente, entregando tudo sem pressa para que a situação pudesse terminar. Foi este o engano do “ladrão”, achando que seria só virar as costas, correr para dentro da “boca” pra fumar seu baseado sentado no chão. O tiro foi certeiro, não tinha como errar, a raiva era tanta que a arma sozinha conseguia mirar.
Sem passagem pela polícia por conseguir até hoje todos os seus roubos concretizar, no dia seguinte vira manchete de jornal e a notícia logo começa a se espalhar: “Menor morre por bala perdida voltando da escola”.
Depois dessa, começo a duvidar mais das coisas que leio, pois para tudo existem três versões: A minha, a sua e a VERDADEIRA.