quinta-feira, 3 de abril de 2008

meio sem tempo, vai este mesmo!

Parte II – Rodrigo “raTo” Seixas
Texto publicado no jornal Chega São Paulo!

O som é confuso, em meio a sirenes e buzinas eu vejo um corpo jogado no chão. Ele está coberto com um plástico preto, enquanto uma pessoa comemora a vitória, a família o sofrimento. A verdadeira história só ele sabe, eram 19:30 h da noite, sem nada pra pensar, só queria o seu baseado fumar.
Nunca teve instrução, veio de família humilde desde então. Os seus irmãos? Todos diferentes do “ladrão”. Cada um dos nove muitas vezes passavam fome, outros entravam para a igreja para escapar do crime e da pobreza, acreditando no divino, fugindo do mundo real... mas todos eles sem roubar até mesmo um frango para passar o natal.
Com ele era diferente, preferia a vida fácil pra fugir do batente. O sol do meio dia, aquela “breja” gelada em boa companhia, com os “mano firmeza” planejando mais um crime que como dizia o “ladrão”: Isso aqui vai ser moleza. Sem vacilar saíram todos do bar, cada um para o seu canto esperando a hora chegar, para depois em mais um encontro, a sorte grande brindar.
Na conversa com os irmãos, conselhos eram o que não lhe faltavam, mas todos eles eram repudiados e que com uma risada final ele falava: Já é! A mãe não tinha mais cabeça para lhe guiar, trabalhando de doméstica à garçonete de bar, as vezes chegava a se deitar com qualquer um que pudesse as suas contas pagar, mesmo sem um mínimo de prazer para lhe dar.
O pai ele só conhecia de nome, que morreu até com tiro na bunda, no antigo barraco que depois foi ateado fogo, antes mesmo de o “ladrão” nascer. Esta era a imagem que o “ladrão” tinha do “ladrão”, um pai malandro que morreu como morre um pilantra. Em meio a tanta pobreza, sem estrutura familiar, chegava às ruas mais um menor e desta vez era para te matar.
A rua era escura a propósito. Iluminação? Só a dos barracos mais próximos, pois nos postes já não havia mais lâmpadas, assim a abordagem ficava mais fácil. Não tinha preferência, chegava batendo na porta de qualquer um mesmo sem a esperteza de um bom malandro, que só cometia seu crime na certeza, sem medo de “tomar” uma bala na cabeça.
Desta vez o barulho veio do lado inverso, o tiro partiu do lado oposto aos barracos. A bala que até hoje só havia conhecido uma direção, seguiu o rumo contrário. Não adiantou correr, o barulho veio pelas costas que não deu para perceber, o grau de entorpecentes era tanto que seus reflexos não puderam lhe conter.
O desespero era tanto por mais um “barato” fumar, que mal esperou o carro no semáforo parar e começou a atacar. Ele não sabia, mas a vítima estava preparada para mais um assalto. Legítima defesa nos casos mais remotos, pois pelo lugar que se encontravam, qualquer um ali seria só mais um defunto comido pelos urubus, que sobraria só os ossos.
Com a arma na mão sem tremer e nem piscar, o “ladrão” começou a assaltar. Pedindo o que lhe podia ser visto e também o previsível que qualquer cidadão pode carregar: “Me dá o dinheiro, a carteira e o celular”.
Chega a ser engraçado, mas a vítima o deixou assaltar, pacientemente, entregando tudo sem pressa para que a situação pudesse terminar. Foi este o engano do “ladrão”, achando que seria só virar as costas, correr para dentro da “boca” pra fumar seu baseado sentado no chão. O tiro foi certeiro, não tinha como errar, a raiva era tanta que a arma sozinha conseguia mirar.
Sem passagem pela polícia por conseguir até hoje todos os seus roubos concretizar, no dia seguinte vira manchete de jornal e a notícia logo começa a se espalhar: “Menor morre por bala perdida voltando da escola”.
Depois dessa, começo a duvidar mais das coisas que leio, pois para tudo existem três versões: A minha, a sua e a VERDADEIRA.

4 comentários:

. Cáh . disse...

Minha cabeça ta doendo de mais pra pensar no que comentar amoRe miO..!
Chega logo sexta feiraaa pra gente ir tomar uma gelada...!!!
te vi ontem mas tô com saudades!!
haihaiahiahiahiahiahiahiaa

BeijOOOOOOOOOOOOOO!

Daniel disse...

Na ocasião da publicação no Jornal Chega São Paulo, já tinha dito a você que tinha achado esse texto bem loko, com uma única ressalva, que também te disse na mesma ocasião, que você insiste muito no "fumar um baseado" no texto.

Esse texto serviria fácil como uma música, porque tem diversas rimas, o que deixa esse texto mais rico.

Abs

Adriana disse...

Daniel...quando comecei a ler achei que fosse alguma música mesmo.

Achei foda demais a última frase. Vou usá-la para mim.

Bjs

Diário de uma paulistana disse...

Concordo com o Dani. Ótimo texto, serviria de letra para uma boa música e concordo também com o excesso de "baseados" que colocou!!
ahahahahahahha
td bem q até curto esse exagero, mas... ahahahahaha

saudade docê
não some da minha vida não tá
ahahahahahahaha

ahhhh e fiquei esperando viu! foi revanche???
ahahhahaha

bjOkas se cuida
e essa sexta a gnt se vê??