quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Novos Pensamentos Para Um Velho Mundo

Ae Galera... novo artigo para a próxima edição do Chega São Paulo!
www.chegasaopaulo.com

Novos Pensamentos Para Um Velho Mundo – Rodrigo “raTo” Seixas

O termo foi mudado, a velha anarquia já não é mais aquele sistema de comunas, virou sinônimo de baderna. A palavra igualdade que antes era empregada com veemência pelo comunismo e socialismo, hoje tem sentido oposto, o mercado consumista se encarregou de mudar o foco.

Antes partíamos do princípio de que éramos todos iguais, e com o devido respeito e igualdade, nos tratávamos. Hoje já ensinamos as nossas crianças que somos melhores que os outros. Igualdade é ter um carro igual ao do seu vizinho, da mesma forma que é usar algo igual a que seu ídolo usa. Igual hoje é não ser diferente.

Mas e quem é diferente, como se sente? Será que também não quer ser ou se sentir igual?

A ajuda mútua era corriqueira e informal. Todos ajudavam uns aos outros pelo simples fato de ter a ciência de que a ajuda desprovida de obrigações e sim movida por sentimentos era sinônimo de idealismo. Hoje ajudamos com fins lucrativos, pois custa R$ 0,27 mais os impostos. Aonde queremos chegar com tudo isso?

Fomos engolidos por um monstro chamado capitalismo. Não estou aqui para defender outra teoria, mas acredito que como tudo se caminha, estamos remando contra a maré. Aumentamos a criminalidade pela ânsia de quem não tem nada, ou então de quem apenas alguma coisa quer ter. Nós criamos isto!

Para nós, um gari é apenas um gari, bem como um jardineiro é apenas um jardineiro. Por que enxergamos apenas o que nos passa através da retina, se podemos ir além? Se tratarmos com igualdade todos aqueles que julgamos inferiores, voltaríamos ao começo de tudo e daríamos mais um passo adiante.

Faço esta narrativa em primeira pessoa porque também faço parte desta nação, me sinto culpado por algumas coisas, porém em outras eu nem tenho noção. Logo de repente tudo o que se forma começa a rimar, isto significa que não tenho mais forças pra pensar.

Que bom seria se os meus olhos pudessem se fechar, e ao abrirem, não haver nenhuma pobreza e nenhuma indignação a questionar. Mas ai eu não me chamaria Rodrigo e meu país não se chamaria Brasil, que é grande demais para o que eu posso ver, porém é muito pequeno para tudo o que se pode ser.

Analogias perante a um futuro incerto eu até tenho medo de fazer, visto que apenas uma minoria enfadada com a desgraça alheia, não tem nada a temer. Este fogo cruzado entre quem tem o melhor e quem apenas quer um espaço para viver, ainda está longe de acabar, pois por trás desta cortina de fumaça muita gente ainda vai lucrar. Então por que tudo isto mudar?

Enquanto o sentimento alheio tiver forças para conjugar o verbo “ter” em todos os tempos, muitos ainda vão sofrer, pois isto dá mais lucro do que a conjugação do verbo “vender” em um país onde tudo o que se quer é comprar!