quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

meu distante campo... minha distante colina...


Vivo na metrópole... Mas quando estou no campo tenho devaneios generalizados de como seremos engolidos pelo crescimento. Desde pequeno, quando viajava e enquanto admirava as paisagens, sempre pensava comigo mesmo que quando eu retornasse àquele lugar já haveria casas, pessoas brincando nas ruas e aquele caos de toda metrópole.

Tenho medo deste crescimento! Apesar de mundialmente sermos reconhecidos por ser um país tipicamente agrícola, estamos perdendo nossos campos. O nosso cheiro de terra molhada, o orvalho ao amanhecer está cada vez mais longe da capital, aliás, a capital está se tornando cada vez maior.

Como é gostoso caminhar mata adentro, descobrindo novas formas e espécies, respirar o ar puro que hoje em dia é raro, esquecer da fumaça dos ônibus e caminhões, beber a água pura... Ah como é gostoso ler um bom livro debaixo de uma árvore.

O crescimento desenfreado começa a surtir efeitos. Secas constantes desgastam a vegetação, sol sobre sol, nosso solo seca impedindo que o verde seja vivo. Aquele ar puro já não está mais tão puro, pois o desmatamento desleal é mais rentável, o lucro deixa de ser um assunto desconhecido para os campesinos e passa a ser global.

Hoje eu não sou mais criança e realmente eu tinha razão naqueles ingênuos pensamentos, pois mesmo sem saber o que era uma metrópole eu já sabia que ela tomaria conta de tudo. O progresso é inevitável bem como a inclusão do cidadão. O avanço chega aos pequenos vilarejos de uma forma tímida, porém sagaz.

Sinto que daqui a alguns anos não teremos mais campos, não teremos mais sossego, e infelizmente seremos engolidos por inteiro, por aquilo que já nos engole aos poucos e diariamente.

Um comentário:

Daniel disse...

Amo a vida urbana, mas adoro fugir pro campo ou pra praia. Mas e quando não pudermos fugir pro campo ou pra praia? Ou melhor, o que fazer quando tudo tornar-se uma coisa só? Será um sinal de evolução ou de regressão? O ser humano se adaptará?

abs