quinta-feira, 27 de agosto de 2009

.em.construção.

Se eu tivesse nascido em 1964 teria assistido esta mesma cena, mas num cenário diferente. Isto está me cheirando ditadura às escondidas, enquanto todos nós procuramos bundas nas piscinas. Articulação de um terceiro mandato já começou, enquanto eu fico assistindo ao futebol esperando a hora do gol. No senado é o caralho, nem a história sabe nos dizer onde isto começou, e você só se pergunta: pra que lado vou?. É muito fácil você rir enquanto buscamos nossa independência, mas todos nós não acreditamos na sua previdência.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

.hoje.são.paulo.não.quer.mais.ser.nova.iorque.


Quando moleque, adorava passear de carro pelas ruas e ficar olhando os letreiros luminosos, os banners, as faixas, tudo que deixava a nossa cidade mais americana. Muitas letras e até mesmo palavras que eu não entendia ao certo, pois sempre estavam em outra língua.

Lembro-me de olhar o Mc Donnald’s e perguntar o que era aquilo. A resposta que me deram foi que era uma lanchonete, mas demorei tempos para comer um lanche de lá. Fui com a mãe de um amigo e na mais inocente das respostas, pedi um “x-salada”. Me senti envergonhado, mas até então, lanche pra mim, era só de padaria.

Letreiros de shopping, cinemas, restaurantes, tudo isso me encantava. Talvez porque eu não tivesse dinheiro suficiente para saber o que era cada coisa. E quando se é uma criança, a sua mente viaja sem precisar de drogas. Meu sonho de criança era comprar um disco na loja Hi-Fi, do shopping Ibirapuera.

Aquele letreiro era animal, e o pessoal que ficava na loja, para o meu entendimento, parecia importante. Andar num lugar cheio de gente, com uma sacola daquelas na mão, era tudo que eu queria fazer, pois fomos criados assim. Quando pequenos, queremos ser iguais aos demais e não ser nós mesmos.

O tempo foi passando, fui entendendo melhor as coisas, muitas lojas foram fechando, outras maiores foram aqui se instalando e um mesmo sentimento permanecia: internacionalizam culturas aqui. Estados Unidos e Japão têm grande influência aqui, agora até a Coréia do Sul, que é menor que Pernambuco, com a sua Hyundai ganhou a sua fatia de mercado.

Durante um tempo eu relutei a aceitar o projeto “cidade limpa”, mas depois passei a entendê-lo. Hoje quando ando pela rua me lembro dos tempos de moleque, e talvez a molecada de hoje sinta-se melhor, respira-se melhor, visualiza a sua cidade melhor.

Hoje, São Paulo não quer ser mais Nova Iorque. São Paulo quer que olhemos seus edifícios, suas belas ruas e alamedas. Podemos parar de fronte a uma construção antiga e imaginar sobre nosso passado. Em meio a tanta poluição, pelo menos a visual foi decapitada.

Continuamos com belos restaurantes, belos centros de convenções e até mesmo tudo o que entretêm o ser humano continua belo. Existe só um porém: hoje, podemos olhar pro alto, e já adaptado com toda a monstruosidade de concreto, e admirar o que tinha por detrás de uma Nova Iorque brasileira.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

.da.janela.do.meu.quarto.


Da janela do meu quarto eu faço a minha mente viajar. Com rabiolas de pipas presas por entre os fios, eu posso à minha infância voltar ou simplesmente deixá-la me levar pra onde quer que ela vá. De súbito me lembro dos tempos de moleque, em que meus pais apoiavam a ditadura, se é que podiam colocá-la em xeque.

O tempo passa pra quem fica, pois ele está sempre presente na mente de quem vai à diante. Por isso que eu viajo, e deixo-o me levar por este mundo tão grande, mesmo que seja para uma volta na roda-gigante. Depois eu volto e pergunto onde queria estar, e com certeza é com uma bandeira na mão e uma pedra na outra, para a sua vidraça quebrar.

Não vou te aplaudir e muito menos me engasgar, esta fumaça que jogo pro alto é só pra disfarçar. Enquanto o circo está montado em mais uma praça, eu não estou amontoado em meio à palha. Não fico deitado deixando a mente viajar, com pensamentos impuros e ideais concretos, este circo vou desmontar.

Num país em que qualquer que seja o motivo, tem-se o direito de protestar, como poderemos de toda esta lama nos livrar? De anarquista à comunista, idéias eu tenho mais de mil, mas perante ao direito civil não te mando pra puta que lhe pariu. Eu poderia até tentar, mas neste país o coronelismo ainda mandaria me matar.

Fui muito longe, eu sei, mas me pego na janela novamente e vejo aquele moleque, pela rua passar, fico me perguntando: onde que ele deveria estar? Numa hora dessas, num dia desses, de repente o pai dele não é igual ao meu, pode ser que mais um emprego ele perdeu e nas bebidas outra vez se fodeu. Deixou a demissão em troca de uns tragos e quando voltou pra casa, foi novamente aquele estrago.

Lembro-me da ansiedade de olhar pela janela e ver o movimento para a festa junina, mesmo sem saber que um dia, isto tudo se acabaria. Tempos depois eu deixaria a minha barba crescer, imaginava um mundo, que hoje eu sei que jamais vou conhecer. Isto não significa que eu tenha desistido dos meus ideais, mas sempre tem um de nós que fica pra trás.

As vezes me lembro de quando era julho, eu abria a janela cinzenta, e o mesmo barulho da madeira a ranger, já fazia eu tremer só de pensar estar a chover. Um dia sem skate nunca foi um dia completo, mas hoje eu me divirto mesmo que debaixo de um teto.

Quantas letras eu escrevi para caso algum dia eu chegasse lá, cantar a minha revolução com o coração, uma mistura do vem da alma com aquilo que se faz com paixão. Ficava desta mesma janela a imaginar, que com um microfone na mão toda esta merda eu ia mudar.

E esta geração de hoje que teve a oportunidade de chegar, e apenas sobre amores mal resolvidos é o que querem falar. Como se não bastassem as novelas para a sua mente fritar, agora invadem pelas ondas sonoras sem propósito algum para agregar.




Obs: hj eu bati mais um "record" pessoal, nada a ver com a postagem, a não ser pela data!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

.singelo.pingão.

Finalzinho da década de 80 e começo dos 90 [como assim chamamos], eu e o Pingão cantávamos a música abaixo pelas ruas. Meio de 2009, as vezes cantamos também. Hoje foi um dia, verdadeiro Pingão!

“Pânico na zona sul” – Racionais Mc’s

"Aqui é Racionais MC's, Ice Blue, Mano Brown, KLJay e eu EdyRock."- E ai Mano Brown, certo ?- Certo não está né mano, e os inocentes quem os trará de volta?- É...a nossa vida continua, e ai quem se importa ?- A sociedade sempre fecha as portas mesmo...- E ai Ice Blue...- PÂNICO...
Então quando o dia escureceSó quem é de lá sabe o que aconteceAo que me parece prevalece a ignorânciaE nós estamos sósNinguém quer ouvir a nossa vozCheia de razões calibres em punhoDificilmente um testemunho vai aparecerE pode crer a verdade se omitePois quem garante o meu dia seguinte
Justiceiros são chamados por eles mesmosMatam humilham e dão tiros a esmoE a polícia não demonstra sequer vontadeDe resolver ou apurar a verdadePois simplesmente é convenienteE por que ajudariam se eles os julgam deliquentesE as ocorrências prosseguem sem problema nenhumContinua-se o pânico na Zona Sul.
Pânico na Zona SulPânico...
Eu não sei se elesEstão ou não autorizadosDe decidir que é certo ou erradoInocente ou culpado retrato faladoNão existe mais justiça ou estou enganado?Se eu fosse citar o nome de todos que se foramO meu tempo não daria pra falar MAIS...Eu vou lembrar que ficou por isso mesmoE então que segurança se tem em tal situaçãoQuantos terão que sofrer pra se tomar providênciaOu vão dar mais algum tempo e assistir a sequênciaE com certeza ignorar a procedênciaO sensacionalismo pra eles é o máximoAcabar com delinquentes eles acham ótimoDesde que nenhum parente ou então é lógicoSeus próprios filhos sejam os próximosE é por isso queNós estamos aquiE ai mano Ice Blue...
Pânico na Sona SulPânico...
Racionais vão contarA realidade das ruasQue não media outras vidasA minha e a suaViemos falarQue pra mudarTemos que parar de se acomodarE acatar o que nos prejudicaO medoSentimento em comum num lugarQue parece sempre estar esquecidoDesconfiança insegurança manoPois já se tem a consciência do perigoE ai?Mal te conhecem consideram inimigoE se você der o azar de apenas ser parecidoEu te garanto que não vai ser divertidoSe julgam homens da leiMas à respeito eu não seiMuito cuidado eu tereiScracth KLJayEu não serei mais um porque estou espertoDo que acontece Ice BluePânico na Zona Sul
Pânico na Zona SulPânico...
Ei BrownVocê acha que o problema acabou?Pelo contrário ele apenas começouNão perceberam que agora se tornaram iguaisSe inverteram e também são marginais Mas...Terão que ser perseguidos e esclarecidosTudo e todos até o último indivíduoPorém se nos querermos que as coisas mudemEi Brown qual será a nossa atitude?A mudança estará em nossa consciênciaPraticando nossos atos com coêrenciaE a consequência será o fim do próprio medoPois quem gosta de nós somos nós mesmosTipo porque ninguém cuidará de vocêNão entre nessa a toaNão de motivo pra morrerHonestidade nunca será demaisSua moral não se ganha, se fazNão somos donos da verdadePorém não mentimosSentimos a necessidade de uma melhoriaA nossa filosofia é sempre transmitirA realidade em siRacionais MC's
Pânico na Zona SulPânico...
Certo, certo...Então irmãoVolte a atenção pra você mesmoE pense como você tem vivido até hoje certo?Quem gosta de você é você mesmoNós somos Racionais MC'sDJ KLJay, Ice Blue, Edy Rock e eu...Brown.PAZ...
Pânico...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

.contagem.regressiva.


Algo em mim mudou, não sei o que foi. Só sei que eu não sou mais quem eu era. - Ernesto "Che" Guevara de la Sierna.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

.conflito.eminente.

Não estranhamente somos considerados o país do futebol. Para os mais fanáticos pode ser um orgulho ser lembrado de quatro em quatro anos. Não desmerecendo nossas estrelas do passado que fez um dia o nosso nome ser conhecido por tal. Porém, está na hora de sermos lembrados por outras importâncias, até porque nosso futebol já não é mais o mesmo.

Recentemente um jogador foi expulso por trocar de shorts dentro de campo. Por mais que ele estava com uma lycra por baixo, o Juiz aplicou ao jogador o que lhe cabia de direito, sem pensar se realmente o jogador estava agredindo alguém com a sua atitude. Em outras palavras, a lei foi aplicada ao jogador, quer ele concorde ou não.

Do outro lado do campo, em Brasília, os nossos senhores donos do mundo não se aproveitam da atitude do outro colega, não existiu a ânsia de querer mudar, de querer fazer tudo diferente, não fizeram força pra virar a mesa. Mas espera! Será que temos que pensar desta forma? Precisaremos insistir para que as coisas aconteçam em Brasília? É triste assistir à TV e ouvir escutas telefônicas, atos secretos, nepotismo, além do analfabetismo dos nossos eleitos.

Como pode uma regra de futebol ser respeitada com firmeza e no senado ou onde quer que seja, simplesmente não existir? Se o Presidente, com freqüência, cita exemplos de futebol, por que não se faz uso destes exemplos também?

Até quando, nós trabalhadores decente, nós que só não damos o cu pra ganhar dinheiro, teremos que conviver com isto? Até quando eu vou me matar de trabalhar para pagar as minhas contas e as contas de Brasília? Pois é muito triste você acordar cedo, sair de casa com garra para trabalhar, para ganhar seu dinheiro honestamente, e ao chegar em casa depois de um dia longo e duro de trabalho, ler reportagens como as que lemos freqüentemente.

Existe apenas um lado engraçado de tudo isso. É pior que novela! Pois se você fica um dia ser acompanhar as notícias, no próximo já está sem entender nada, aparecem nomes que você não conhecia, pessoas ligadas a outras pessoas que você já nem sabe mais quem é quem. Tudo é uma continuidade, tudo é uma seqüência, apenas alguns nomes são trocados. Ou alguém ouve falar de Jader Barbalho ainda? Este é antigo. Mas e o Marcos Valério? Este é um pouco recente!

Este problema crônico já virou cultural. É sinônimo de aposentadoria garantida. Pois já é rotina nomes do meio artístico ser esquecido por sua carreira e tentar algo na política. Depois ele faz um show de comício, é lembrado pelo povo, eleito, e nada mudará. Os que não são do meio artístico e já nasceram nesta podridão, também não querem que mude, pois são os maiores beneficiados.