terça-feira, 18 de agosto de 2009

.da.janela.do.meu.quarto.


Da janela do meu quarto eu faço a minha mente viajar. Com rabiolas de pipas presas por entre os fios, eu posso à minha infância voltar ou simplesmente deixá-la me levar pra onde quer que ela vá. De súbito me lembro dos tempos de moleque, em que meus pais apoiavam a ditadura, se é que podiam colocá-la em xeque.

O tempo passa pra quem fica, pois ele está sempre presente na mente de quem vai à diante. Por isso que eu viajo, e deixo-o me levar por este mundo tão grande, mesmo que seja para uma volta na roda-gigante. Depois eu volto e pergunto onde queria estar, e com certeza é com uma bandeira na mão e uma pedra na outra, para a sua vidraça quebrar.

Não vou te aplaudir e muito menos me engasgar, esta fumaça que jogo pro alto é só pra disfarçar. Enquanto o circo está montado em mais uma praça, eu não estou amontoado em meio à palha. Não fico deitado deixando a mente viajar, com pensamentos impuros e ideais concretos, este circo vou desmontar.

Num país em que qualquer que seja o motivo, tem-se o direito de protestar, como poderemos de toda esta lama nos livrar? De anarquista à comunista, idéias eu tenho mais de mil, mas perante ao direito civil não te mando pra puta que lhe pariu. Eu poderia até tentar, mas neste país o coronelismo ainda mandaria me matar.

Fui muito longe, eu sei, mas me pego na janela novamente e vejo aquele moleque, pela rua passar, fico me perguntando: onde que ele deveria estar? Numa hora dessas, num dia desses, de repente o pai dele não é igual ao meu, pode ser que mais um emprego ele perdeu e nas bebidas outra vez se fodeu. Deixou a demissão em troca de uns tragos e quando voltou pra casa, foi novamente aquele estrago.

Lembro-me da ansiedade de olhar pela janela e ver o movimento para a festa junina, mesmo sem saber que um dia, isto tudo se acabaria. Tempos depois eu deixaria a minha barba crescer, imaginava um mundo, que hoje eu sei que jamais vou conhecer. Isto não significa que eu tenha desistido dos meus ideais, mas sempre tem um de nós que fica pra trás.

As vezes me lembro de quando era julho, eu abria a janela cinzenta, e o mesmo barulho da madeira a ranger, já fazia eu tremer só de pensar estar a chover. Um dia sem skate nunca foi um dia completo, mas hoje eu me divirto mesmo que debaixo de um teto.

Quantas letras eu escrevi para caso algum dia eu chegasse lá, cantar a minha revolução com o coração, uma mistura do vem da alma com aquilo que se faz com paixão. Ficava desta mesma janela a imaginar, que com um microfone na mão toda esta merda eu ia mudar.

E esta geração de hoje que teve a oportunidade de chegar, e apenas sobre amores mal resolvidos é o que querem falar. Como se não bastassem as novelas para a sua mente fritar, agora invadem pelas ondas sonoras sem propósito algum para agregar.




Obs: hj eu bati mais um "record" pessoal, nada a ver com a postagem, a não ser pela data!

9 comentários:

QV4 disse...

muy bueno el blog !!! saludos desde Argentina.

Fê Volpi disse...

Pela janela do meu quarto minha mente já viajou bastante.

Hoje vejo apenas um muro alto e cinzento e, com muito esforço, uma fresta do céu.

Não posso viajar mais... não através dela.

Gostei do seu texto! :)

ju mancin disse...

que céu legal!!! :-D

Wagner (Gordão) disse...

Da janela do meu quarto vi, vejo e verei a vida passar.
Da janela do meu quarto fiz de tudo e mais um
pouco.
Abraços, Ratão.....

Juliana disse...

Uma viagem essa janela do seu quarto, hein!

Essa foto me fez lembrar de tempos passados por essas ruas... muito bom!

beijos.

Drizinha disse...

Da janela do meu quarto posso ver a janela do seu quarto e reviver a nossa infância em segundos. Aquela tenda da festa junina que tanto nos alegrava hoje deve ser pano de chão, mas eu espero, se um dia eu tiver filho, poder dar uma infância a ele tão feliz quanto foi a minha ao lado de amigos como você. Beijos Rato

Daniel disse...

Por uma janela (não necessariamente a da minha casa) eu caminho milhas e milhas de distância, e aí só Deus sabe a capacidade da minha mente em viajar e criar qualquer clima favorável a mim.

abs

Alejandro disse...

muy bueno su blog, saludos.

Lima, Peru.

Marília PSH disse...

adoro olhar pela janela.
mas odeio lembrar do mundo que achava que ia conhecer um dia, mas as vezes eu continuo tentando.