terça-feira, 25 de agosto de 2009

.hoje.são.paulo.não.quer.mais.ser.nova.iorque.


Quando moleque, adorava passear de carro pelas ruas e ficar olhando os letreiros luminosos, os banners, as faixas, tudo que deixava a nossa cidade mais americana. Muitas letras e até mesmo palavras que eu não entendia ao certo, pois sempre estavam em outra língua.

Lembro-me de olhar o Mc Donnald’s e perguntar o que era aquilo. A resposta que me deram foi que era uma lanchonete, mas demorei tempos para comer um lanche de lá. Fui com a mãe de um amigo e na mais inocente das respostas, pedi um “x-salada”. Me senti envergonhado, mas até então, lanche pra mim, era só de padaria.

Letreiros de shopping, cinemas, restaurantes, tudo isso me encantava. Talvez porque eu não tivesse dinheiro suficiente para saber o que era cada coisa. E quando se é uma criança, a sua mente viaja sem precisar de drogas. Meu sonho de criança era comprar um disco na loja Hi-Fi, do shopping Ibirapuera.

Aquele letreiro era animal, e o pessoal que ficava na loja, para o meu entendimento, parecia importante. Andar num lugar cheio de gente, com uma sacola daquelas na mão, era tudo que eu queria fazer, pois fomos criados assim. Quando pequenos, queremos ser iguais aos demais e não ser nós mesmos.

O tempo foi passando, fui entendendo melhor as coisas, muitas lojas foram fechando, outras maiores foram aqui se instalando e um mesmo sentimento permanecia: internacionalizam culturas aqui. Estados Unidos e Japão têm grande influência aqui, agora até a Coréia do Sul, que é menor que Pernambuco, com a sua Hyundai ganhou a sua fatia de mercado.

Durante um tempo eu relutei a aceitar o projeto “cidade limpa”, mas depois passei a entendê-lo. Hoje quando ando pela rua me lembro dos tempos de moleque, e talvez a molecada de hoje sinta-se melhor, respira-se melhor, visualiza a sua cidade melhor.

Hoje, São Paulo não quer ser mais Nova Iorque. São Paulo quer que olhemos seus edifícios, suas belas ruas e alamedas. Podemos parar de fronte a uma construção antiga e imaginar sobre nosso passado. Em meio a tanta poluição, pelo menos a visual foi decapitada.

Continuamos com belos restaurantes, belos centros de convenções e até mesmo tudo o que entretêm o ser humano continua belo. Existe só um porém: hoje, podemos olhar pro alto, e já adaptado com toda a monstruosidade de concreto, e admirar o que tinha por detrás de uma Nova Iorque brasileira.

2 comentários:

Daniel disse...

Se São Paulo não quiser mais ser como Nova York já é um passo pra sua independência. Não precisamos copiar ninguém, temos pessoas de bem e inteligentes que podem nos levar muito além do que eles. Mesmo que não seja nesse momento.

Tenho um pé atrás com o povo americano, os acho prepotentes demais, acham-se os donos do mundo.

Lembro-me bem da época que você idolatrava essas coisas. Mas mudou bastante e na minha visão pra melhor.

Podemos reativar aquele grupo de ajuda. Na verdade nem sei porque paramos já que nossa primeira e única experiência foi tão bem sucedida.

abs

Amanda Alice disse...

Cara, adorei, eu também lembro de quando era criança e ir ao shopping era incrível e Mc era pra grãfino ;-), simplesmente me identifiquei totalmente!

Quanto à Sampa de hoje, adoro, ainda não é a minha cara, mas é a minha casa!!!