quarta-feira, 17 de março de 2010

.pedophilia.



Lembro-me de quando eu era pequeno e minha mãe fazia um típico comentário sobre os “mórmons”: Não converse com este povo estranho que perambula pelas ruas batendo nas portas das casas, se eles te pegam, vão te fazer lavagem cerebral. Minha imaginação corria, fazendo-me ter medo daquele povo de calças pretas, camisas brancas e com uma plaqueta no bolso da camisa. Acreditava que me colocariam em uma maca, uma série de fios e cabos seriam conectados à minha cabeça, para então fazer a lavagem cerebral, que então, eu esqueceria quem era a minha família, e passaria a perambular pelas ruas também. Para mim, lavagem cerebral era isso.


Quando eu era muito menor que isso, um pouco depois da fase do “homem do saco” minha mãe tinha medo também, de que eu conversasse com estranhos. E então dizia: Se alguém te parar na rua, pedindo para entrar no carro com ele, não entre, estas pessoas pegam crianças para fazer maldade, então nunca converse com quem você não conheça. Novamente a minha imaginação corria, imaginava um pessoal virando a esquina da minha rua com uma Kombi, me oferecendo carrinhos para brincar, e então me seqüestrar. Na realidade, minha mãe estava com medo de pedófilos, que em meados da década de 80, nem sabíamos pronunciar tal nome.


Hoje o medo da pedofilia vem pela internet, está disfarçado de zero e um, tentando convencer nossas crianças de que ninguém sairá machucado. Por trás de uma tela de computador, em qualquer lugar da cidade haverá um filhodumaputa tentando aliciar uma criança, que em sua mentalidade paternal, acreditará em balas e doces, como se todo dia fosse de “São Cosme e Damião”.


Eu que ainda não tenho filhos, me preocupo como podemos deter tais ações, tendo em vista de que não possamos proibir e muito menos impedir o avanço tecnológico. Esta avalanche chamada de World Wide Web pode em alguns casos, mas não isolados, destruir um sonho de quem ainda mal sabe o que é Ctrl + C e Ctrl + V. Porém, um pensamento único devemos ter: tortura seguida de morte para todos aqueles que, quando pegos com o flagrante literalmente na mão, se julgam psicologicamente incapazes. Antes não eram, estranho, não?

segunda-feira, 1 de março de 2010

.estagnado.

Por um período, me sinto estagnado. Preocupo-me muito em não ser repetitivo, não tratar de assuntos que sempre tratei. Não olhar para trás, como muitas vezes olhei. O coração pulsa mais forte e mais vivo a cada suor que escorre pela testa, fazendo-se sentir o caminho pelo canto do rosto, até encontrar a camiseta velha e surrada.

Chego a quebrar a ponta do lápis pela força praticada, em resposta de um pensamento novo que não vem, anseio por novidades, por construções e alucinações. Não quero mais ouvir comparações entre o Brasil e outros países da Europa. Cansei de explicar hiato de poder e a nossa extensão, e que discutir numa mesa de bar acaba sendo em vão.

Não quero também olhar apenas para a ponta do meu nariz, mas ficará muito difícil alguém me aplaudir se tudo o que querem é uma nova novela pra assistir. Num curto espaço de tempo era moda falar sobre sustentabilidade, agora já se esqueceram e voltou-se a preocupação com a vaidade. Vamos consumir, vamos gastar, nem que seja com algo que não vamos usar.

O monopólio toma conta do Brasil, a indexação de preços varia de acordo com o que o acionista quer ganhar. Se o álcool aumenta, a culpa é da safra e das chuvas, mas a margem de lucro precisa-se alcançar. Quem paga a conta é um único otário chamado brasileiro que só pensa em trabalhar, pois sonha em ser um norte-americano e na sua Nova Iorque é difícil se sustentar.

Às vezes me perco no meio da escuridão mesmo quando não estou andando na contramão. Tento fugir daquele “leão” que mês a mês faço a minha contribuição, ele é faminto e não aceita carne de segunda mão. Um dia o teu braço ele vai arrancar, pois mais um castelo perdido em alguma cidade distante, este animal quer morar. Pode ser que ele seja cassado, pois caçado eu não sei, mas se a mira está na minha mão, com o dedo no gatilho é até três.

Temos ânsia de mudar, mas nosso quarto continua uma bagunça, nosso bairro continua maltratado e continuamos a jogar lixo pela janela do carro. Que mudança queremos? Temos o hábito de apontar dedos como se nosso passado fosse limpo, culpamos a todos porque nunca somos os verdadeiros culpados. Atiramos pedras porque não gostamos de ser atingidos, e quando morrermos, deixamos a merda toda para nossos filhos.

Esquecemos-nos de que um dia vamos voltar, pode ser aqui, no inferno ou em qualquer outro lugar. E na mesma merda que deixamos, é onde vamos pisar, ainda não entendemos que um sacrifício agora será menos traumático, já que o trauma será inevitável, poderia pelo menos ser menos enfático.

No fim, percebo que de estagnado não tenho nada, apenas cansaço. Das mesmas vozes, das mesmas caras e das mesmas frases. Das mesmas vozes de tontos, das mesmas caras de bestas e das mesmas frases compradas.