segunda-feira, 1 de março de 2010

.estagnado.

Por um período, me sinto estagnado. Preocupo-me muito em não ser repetitivo, não tratar de assuntos que sempre tratei. Não olhar para trás, como muitas vezes olhei. O coração pulsa mais forte e mais vivo a cada suor que escorre pela testa, fazendo-se sentir o caminho pelo canto do rosto, até encontrar a camiseta velha e surrada.

Chego a quebrar a ponta do lápis pela força praticada, em resposta de um pensamento novo que não vem, anseio por novidades, por construções e alucinações. Não quero mais ouvir comparações entre o Brasil e outros países da Europa. Cansei de explicar hiato de poder e a nossa extensão, e que discutir numa mesa de bar acaba sendo em vão.

Não quero também olhar apenas para a ponta do meu nariz, mas ficará muito difícil alguém me aplaudir se tudo o que querem é uma nova novela pra assistir. Num curto espaço de tempo era moda falar sobre sustentabilidade, agora já se esqueceram e voltou-se a preocupação com a vaidade. Vamos consumir, vamos gastar, nem que seja com algo que não vamos usar.

O monopólio toma conta do Brasil, a indexação de preços varia de acordo com o que o acionista quer ganhar. Se o álcool aumenta, a culpa é da safra e das chuvas, mas a margem de lucro precisa-se alcançar. Quem paga a conta é um único otário chamado brasileiro que só pensa em trabalhar, pois sonha em ser um norte-americano e na sua Nova Iorque é difícil se sustentar.

Às vezes me perco no meio da escuridão mesmo quando não estou andando na contramão. Tento fugir daquele “leão” que mês a mês faço a minha contribuição, ele é faminto e não aceita carne de segunda mão. Um dia o teu braço ele vai arrancar, pois mais um castelo perdido em alguma cidade distante, este animal quer morar. Pode ser que ele seja cassado, pois caçado eu não sei, mas se a mira está na minha mão, com o dedo no gatilho é até três.

Temos ânsia de mudar, mas nosso quarto continua uma bagunça, nosso bairro continua maltratado e continuamos a jogar lixo pela janela do carro. Que mudança queremos? Temos o hábito de apontar dedos como se nosso passado fosse limpo, culpamos a todos porque nunca somos os verdadeiros culpados. Atiramos pedras porque não gostamos de ser atingidos, e quando morrermos, deixamos a merda toda para nossos filhos.

Esquecemos-nos de que um dia vamos voltar, pode ser aqui, no inferno ou em qualquer outro lugar. E na mesma merda que deixamos, é onde vamos pisar, ainda não entendemos que um sacrifício agora será menos traumático, já que o trauma será inevitável, poderia pelo menos ser menos enfático.

No fim, percebo que de estagnado não tenho nada, apenas cansaço. Das mesmas vozes, das mesmas caras e das mesmas frases. Das mesmas vozes de tontos, das mesmas caras de bestas e das mesmas frases compradas.

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