segunda-feira, 25 de outubro de 2010

.hoje.

Ontem eu não queria dormir, aflito, por mais uma data sem você. Estamos apenas no começo de uma odisséia, o começo de uma nova ordem, o início de um futuro apagado, pelo menos para mim.

Lembrei-me do ano passado, e de todos os anteriores também. Você ficava sentado na mesma cadeira de sempre esperando eu acordar. De imediato eu recebia seus cumprimentos, e a ordem das palavras eram exatamente as mesmas: Parabéns e Juízo!

Hoje eu faço 32 anos, e em alguns momentos eu realmente esqueci. Ao acordar, ouvi minha mãe dizendo: Acorda aniversariante do dia. Ela vem tentando me animar com freqüência, mas a vida aqui perdeu o gosto.

Até hoje eu não consegui voltar a praticar aquele esporte que tanto te orgulhava. Seus olhos brilhavam quando eu entrava em casa com uma medalha, mesmo esta sendo de participação. Tenho medo de entrar em casa sabendo que não vou mais ouvir “Hey Rô, vai correr?”, então eu resolvi parar.

É meu Pai, você sempre fez questão de comprar meu bolo, lembro como se fosse hoje, todos os meus aniversários tinham o gosto da “Fischer” e este era um dos poucos bolos em que eu gostava. Você nunca ligou muito para me dar presentes, sempre deixou a cargo da minha mãe, também, sempre que você comprava alguma coisa eu reclamava do tamanho, da cor, do modelo, então um dia você cansou.

Eu juro que não queria me lamentar na data do meu aniversário, Pai, de verdade. Mas a cada dia pra mim é um novo dia, e cada um deles nem sempre é mais fácil que o outro.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

.tempos.de.crise.e.muita.confusão.

Num país em que na década de oitenta apenas milionários tinham telefone fixo, e num presente em que bandidos fazem ligações, tranquilamente, dentro de presídios, não seria difícil de imaginar o resultado das nossas urnas nestas eleições.

Num país em que foi feito de tudo para aniquilar, junto ao voto consciente, a “ficha limpa”, não seria difícil de imaginar que “fichas sujas” se beneficiariam transferindo suas candidaturas para cônjuges, para enfim se eleger.

Seria muita redundância da minha parte dizer que brasileiro tem memória curta. Eu acredito que o problema é bem maior. Existe uma grande parte do nosso país, infelizmente, que o acesso à cultura e à informação é escasso. A manutenção disso é a força de uma minoria podre que ri [às vezes, dançam] às nossas custas, literalmente.

Riem porque é fácil manter o analfabetismo funcional, é muito cômodo ignorar aquele que, humilde por natureza, é carente de necessidades básicas que eu, você e todo mundo que terá acesso a este texto, não sofremos.

Infelizmente, neste país ainda têm alguns municípios em que água encanada é assistida somente pela televisão e em época de eleição, transporte público é coisa de cidade grande e educação é pra quem sabe escrever, não só o próprio nome.

Estabilidade financeira é sinônimo de cargo público. Propostas políticas que já deveriam ser praxe há anos, são apresentadas em horários gratuitos como um atrativo de votos, ao estilo vendedor de ilusões. Nos sentimos como se estivéssemos buscando alguém que nunca chegará a ser apresentado à nós. Ficamos à mercê daquele número que nos acenderá uma esperança honesta e sincera, que mude para sempre a nossa história política, aquela em que nossos bisnetos lerão nos livros e sentirão orgulho de seus entes terem feito parte desta porra toda.