segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

.pré.2011.



Guerreiro num mar sem fim, lá está ele começando o ano. Às suas costas, verdadeiras lanças passam raspando por sua pele, algumas deixando uma pequena e breve ferida, que com o tempo cicatrizar-se-ia sozinha, junto às águas do mar, salgadas e tranqüilizantes.

Como quem não foge à luta, protocolou a missão de enfrentar importantes desafios, sejam estes nos dez cartórios da capital ou em Kyoto. Não negligenciou nenhuma regra e muito menos foi desobediente ao coronel, que o colocou em linha de frente por algumas situações. Como sempre seguia quebrando padrões, afirmando-se um formador de opiniões.

Tudo corria perfeitamente bem para aquele ano de 2010, de juras a projeções, de sonhos e canções, a chuvas e trovões, e alguns pequenos palavrões. Ele desviou de uma, duas, mas a terceira foi fatal. Guerra tem disso, uma pequena flecha invisível, pelo menos aos seus olhos, atingiu seu peito, fazendo-se derrubar a primeira lágrima.

A dor foi inevitável, dolorida no sentido literal que deve ser aplicado ao nome. Por um tempo ele se sentiu atrofiado, com o cérebro desmaiado, como muitos esperariam de fato. Com o corpo boiando ao mar ele decidiu que não queria naufragar, muito menos uma onda em suas costas rebentar. Estendeu a mão para todos àqueles que estavam sobre bóias.

Alguns tentaram puxar suas mãos, outros disseram que iam puxar. Outros até tentaram, mas um pouco mais tarde tiveram que as soltar. Então ele decidiu o mar aberto enfrentar, e com suas roupas rasgadas e surradas, só lhe restava o oceano atravessar.

As vezes ele conseguia olhar a Lua, em outras ele observava-a por entre as nuvens. Mas todas as vezes em que eles se olhavam um sorriso de esperança era marcante, que refletiam aos seus olhos brilhantes todos aqueles sonhos que pareciam um pouco distantes.

Hoje ele se lembra de tudo isso sentado à beira da praia, com pequenas ondas vindas ao seu encontro, quebrando no meio do seu peito. A cabeça vai longe olhando fixo no horizonte, pensando naquele que chega. Já admirando-o só pela luta constante que foi este, aquela de viver intensamente.

De frenético a estático, de vulgo a gramático e como sempre muito enfático, desta vez ele é apenas um sonhador. Com olhar fixo e punho cerrado sempre, ele deseja viver o amanhã com a mesma braveza e a mesma destreza que lhe foi ensinada, mas também quer voltar a ter aquele olhar leve, cativante, e terno que sempre teve. E para isto basta sempre seguir à diante.

Ele tirou a farda de outrora, que hoje só faz parte de sua coleção pessoal. Hoje, este soldado de barba cerrada só sente a brisa bater no seu quintal, sentado debaixo da árvore que sempre ajudou a regar. Alguns livros se fazem de seu banco, porque ele não está aos trancos, e muito menos aos barrancos.

Está apenas na contagem regressiva deste ano que vem, e de todas as promessas que realizar-se-ão ao longo do curso da vida, não só deste ano ou daquele, mas sim da vida, do hoje e também do futuro.

Jamais ele se esquecerá do ano em que o Brasil perdeu a copa, começará aceitar a derrota, e compreender mais de perto que deus realmente escreve certo por linhas tortas.

Com a metáfora na mente, enquanto ele apaga seu fósforo recém riscado, reflete: Eu sou o charuto, ela é a champanhe.

Um comentário:

Drizinha disse...

A água do mar ajuda a cicatrizar. As mãos, mesmo que não nos alcançem, deixam claro que os anjos estão ano nosso redor. Os pequenos prazeres tornam-se as melhores lembranças. Que 2011 seja mais poesia para a sua vida e que a ferida da flechada transforme-se apenas em uma cicatriz que lhe lembra sempre o guerreiro que é.

Bjs amigo!