quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

consciência de glamour

Antigamente economizávamos água por questões financeiras, éramos chamados de mesquinhos. Hoje em dia, os mesmos que nos apontavam os dedos da mesquinharia são chamados de conscientes. O mundo girou, rapidamente perceberam esta guinada e se dizem pensar no futuro do planeta. Mas a água continua indo para o ralo, está na cultura. No mundo dos endinheirados compra-se consciência ecológica com idéias banais para guardar seu lugar no paraíso, ou para seu dia do juízo.

Fazem eventos para consciência ecológica, criam ONG’s para a salvação do planeta, tudo com o dinheiro e nada com a alma. Com certeza seus banhos continuam longos, seus carros continuam muito bem lavados, e nenhum pensamento prestativo surge da sua cabeça. Perante a sociedade, eles são os conscientes, os verdadeiros donos do mundo.

Enquanto isso, de dentro do seu carro blindado, eles assistem mais um grupo de pessoas jogando seu sofá debulhado por mais uma enchente. Passam por amontoados de garrafas pet e sacolas plásticas, que seguirá o mesmo curso do sofá, até encontrar o rio mais próximo, tudo isso com seus vidros fechados e com a marcha ainda engatada.

Eles não perceberam ainda que esta pseudo conscientização da elite não faz porra nenhuma. Nenhuma proposta de saneamento é clara, nenhum projeto governamental é apresentado com clareza. Vendemos emissão de gases poluentes para países ricos, ainda utilizamos aterros sanitários e contamos com a ajuda de mendigos e indigentes para minimizar este efeito devastador.

A conscientização deve ocorrer debaixo pra cima. Do contrário, eles continuarão falando em economizar água com quem sequer tem água encanada, e sim água desviada. Vão pedir a consciência para a diminuição do uso das sacolas plásticas para quem as utiliza como depósito de lixo. Tudo isso para depois a gente estender o assunto para a energia elétrica, reciclagem e conservação natural.

Enquanto isso, continuaremos a receber convites glamorosos em nossos endereços, para mais um jantar de gala de uma nova ONG, com um novo projeto, com uma nova estrutura, que por trás daquele convite, estamos falando ainda das mesmas pessoas.

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